Rumo ao Milionésimo Círculo!

“Os Círculos de Mulheres são formados um a um. Cada Círculo expande para mais mulheres a experiência de pertencer a um deles. Cada mulher, em cada círculo, que se transforma através de sua experiência nele, leva estas mudanças para outras relações. Até que, em um determinado dia, um novo Círculo se formará e ele será o Milionésimo Círculo – aquele que faz a diferença – e nos levará a uma era pós-patriarcal.”

Jean Shinoda Bolen

Quando cheguei ao final da leitura de “O milionésimo círculo”, da Jean Shinoda Bolen, fiquei no afã de cadastrar no site indicado pelo livro o grupo do qual fazia parte.  Logo esse afã tornou-se um insight, um desejo  de criar um espaço brasileiro onde o mesmo fosse possível. Cá estamos!

Que esse seja um espaço de força, de empoderamento do feminino. Que possamos ver as maravilhas que as mulheres têm feito Brasil afora.

Cadastre seu Círculo de Mulheres aqui, nessa jornada rumo ao Milionésimo Círculo:

http://circulodemulheres.com/?page_id=2

Com gratidão e fé nesse movimento,

Paloma

PS: em breve, apresentaremos aqui os Círculos já cadastrados.


Na dúvida, seja você mesma

Mas, afinal, eu sei quem sou realmente ou ainda estou identificada com o que querem de mim, o que esperam de mim, o que pensam de mim?

Estou me adaptando o tempo todo ou estou me expressando?

Tenho visto tanta coisa por aí que me fazem crer que alguma coisa está fora da ordem, da nossa ordem pessoal.

Em um domingo desses, no Fantástico, uma das dicas do Max Gehringer para um jovem que está ingressando no mercado de trabalho foi: “Se você não sabe o que fazer, copia dos colegas”. Ele estava se referindo à postura do jovem durante uma reunião. Todos estavam fazendo anotações e o rapaz estava somente assistindo. Então o “Super Max” disse: “Se todos estão anotando, anote também.”

Pelo amor de Deus! O que é isso? Vamos reproduzir máquinas, comportamentos copiados, vazios? O cara sabe o que tem que anotar? Talvez a tal dica pudesse ser: questione, pergunte, tenha dúvida. Você não tem obrigação de saber tudo. Não é inadequado perguntar. Inadequado é não saber e fingir que sabe.

É…essa semana foi ótima de exemplos de como não sermos nós mesmos.

No interessantíssimo blog Mulher 7 x 7, a seguinte frase endossa meu incômodo:

“Na dúvida, se você imitar o comportamento das outras pessoas, elas tenderão a gostar mais de você”.

Que frase é essa, gente?!?! Ainda estamos no âmbito de imitações, padronizações e busca por aceitação?

Vejam com seus próprios olhos! A frase está lá, referindo-se ao melhor comportamento corporativo das mulheres – Ser durona ou boazinha: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/04/05/boazinha-ou-durona-quem-se-da-melhor-na-carreira/

Cada mulher é única e tem seus desafios próprios, seu jeito pessoal de lidar com as situações, com os desafios. Cada uma de nós tem que olhar e entender o que nos serve e o que nos atrapalha. Se ficarmos olhando pra fora, tentando encontrar o melhor comportamento, com certeza vamos nos deparar com a tristeza do vazio de não saber mais quem somos. Nem boazinhas, nem duronas. Autênticas, em todas as suas complexidades e singularidades.

Por favor, na dúvida, seja você mesma.

Todo dia é dia de mulher

Las Comadres, de Juana Alicia

Dia desses, durante um encontro do Círculo de Mulheres, sugeri que cada uma de nós fizesse duas listas: “o que eu TENHO que fazer” e “o que eu POSSO fazer”.  

Com certeza, a proposta tinha a ver com PERMISSÃO: sobre o quê me permito fazer e o quê me permito recusar. Mas se não me permito muita coisa no mundo, as listas ficam muito difíceis de separar. Não tenho certeza do que eu “posso fazer”, porque não sei distinguir do que eu “tenho que fazer”.

O que faço na minha vida, com as pessoas, com meu trabalho, nos meus relacionamentos está a serviço de quem? Está a serviço da minha vida? Está a serviço do que eu posso e desejo ou está satisfazendo algo que é de fora, imposto, idealizado e restrito?

Me reconheço nas minhas palavras, atitudes e escolhas ou me sinto obrigada a expressar determinadas coisas – uma lista interminável de “eu tenho que”?

Reconheço as oportunidades de dizer “não, obrigada” ou sinto “que tenho que fazer” o que é esperado?

Mulheres, nosso dia é todo dia. É a cada desafio, a cada escolha, a cada conquista.

Que nossas listas do “eu POSSO” sejam escritas com essência, com coração, com verdade e fidelidade a quem somos. Legítimas e honestas, porque não agüentamos mais ver a lista do “eu tenho” crescer em nossas agendas.

Em toda permissão que nos damos, há uma grande comemoração pelo verdadeiro Dia Internacional da Mulher.

Posicionada sobre o muro

 

Estou posicionada em cima do muro! Podem aproveitar que estou aqui em cima e atirar todas as pedras. Sim, porque eu tenho que ter uma posição definida sobre tudo e, se não tiver, não tenho personalidade, não tenho senso crítico. Sendo assim, mereço ser criticada e apedrejada.

Eu tenho opinião sobre muitas coisas, mas isso não me posiciona ao lado delas. Isso não me coloca em lado algum do muro. Ao contrário, me coloca no melhor espaço de observação sobre todas as partes: BEM EM CIMA DO MURO!

De lá posso ver e entender os lados, os meios, os altos, os baixos. Lá posso sentir todas as emoções e ser escolhida em nome das experiências que podem me levar a muitas posições.

Eu não preciso tomar partido de ninguém. Eu preciso, sim, tomar partido de ver tudo o que tem para ser visto numa situação, numa relação ou em um conflito. Cada um já tomou partido de si e, se eu me posicionar de um lado, como fica a possibilidade de conciliação, de união das partes soltas? Como fica o senso de justiça se eu não considerar e ver todas as nuances?

Justiça no sentido de diferenciar as coisas, não no sentido de julgar as coisas. Quem sou eu?

Claro que sou contra o apedrejamento de mulheres em qualquer parte do mundo ou religião, que sou contra os maridos que oprimem suas esposas, que sou contra a igreja que trata o homossexualismo como desvio de conduta, que sou contra a coisificação da mulher nas mídias…mas ainda assim consigo entender e ver várias coisas que estão envolvidas em cada uma dessas questões e respeito muito esses emaranhados que me levam a ser contra algo.

Porque eles acontecem e existem além da minha posição. 

Nobre elo

 

“…a aula é o elo mais nobre e crítico do processo de ensino.”

Putz! Para não publicar um palavrão: putz!

Na semana passada gravei uma entrevista para a Rádio RH sobre a posição das mulheres no mercado de trabalho nesse nosso país presidido por Dilma Houssef. E no meio do tanto que foi dito, em uma questão acho que me repeti: como o RH pode agir nos grupos de trabalho para gerar mais e melhores resultados para todas as partes.

Claro que falei do RH porque estávamos contextualizados nas empresas. Há muito investimento em treinamento, mas não sei se há investimento nas relações, nas trocas. E o tal do elo, da deliciosa frase do especialista em educação Claudio de Moura e Castro pousa lindamente sobre as salas de treinamento nas empresas. Uma aula (ou treinamento) reúne em si todas as potencialidades e riscos do processo de ensino.

É nobre porque acontece na relação, no envolvimento.

É crítico, tanto pela seriedade do que se constrói quanto pela crítica que é possível quando da troca de conhecimentos, percepções, conteúdos. Por esse motivo, acredito nos trabalhos em grupo porque possibilitam esse elo nobre e crítico.

Será que as empresas sabem da responsabilidade envolvida nesses treinamentos? Será que há mais preocupação com o conteúdo do que com as conexões e compreensões?

Mas fico com um pulsar de esperança na evolução da educação porque muitos elos estão surgindo no mundo, ainda que fora das empresas. Muitos grupos estão surgindo e se fortalecendo para que mais elos de transformação sejam possíveis. E percebo um grande movimento das mulheres nesse caminho…por que será?

Educação com relações, por favor.

 

Há alguns meses li uma entrevista do cientista político Eduardo Marques e fiquei fascinada quando ele diz não bastar educação, tem que haver relação!

Sempre se levanta a bandeira da educação em primeiro lugar, mas realmente não há educação que se estabeleça sem as relações. Talvez seja por isso o grande número de analfabetos funcionais…

Se o leitor não souber fazer a relação entre as letras e as palavras, não há texto.

Se o aluno não fizer relações entre os livros e a experiência, não há vida.

Se não houver troca de idéias, de pensamentos, de percepções, não há aprendizado, não há enriquecimento, nem crescimento.

Essa conjunção me pareceu poderosa e entendi isso como um grande recado para transformar o ensino nas escolas e nas empresas. Não cabe mais valorizar o conteúdo puro e simples, esquecendo que os alunos e funcionários precisam de uma rede de relações rica. Tanto no sentido relacional do conhecimento quanto no sentido de estar em relacionamentos variados, com pessoas diferentes, de núcleos e experiências distintas.

O aluno que somente tem um ciclo de amizades, empobrece as suas chances de ter acesso a outros assuntos, temas e possibilidades além do seu “quintal”.

O funcionário que está imerso nos problemas do seu setor, da sua empresa, não aprende o que está além do seu currículo.

É preciso relações variadas, para conhecimentos e ganhos mais abrangentes.

Para alguns pode parecer óbvio, mas ainda há muito a ser feito…

Você LTDA.

 

Quando vejo mulheres acabando-se em lágrimas e suor porque acham que nunca é suficiente o que elas produzem, que nunca é o bastante para serem reconhecidas, sempre brinco dizendo que todas nós queremos ser capa da Você S.A.

Recentemente foi publicada uma edição especial para mulheres da revista Você S.A e claro que comprei, para ver se encontrava alguma de nós dentre as 126 páginas. Eu corria o risco de encontrar naquelas páginas mulheres especiais como nós que lutam demais para chegar ao lugar onde os homens chegaram há mais tempo, que acham que podem abrir mão de suas escolhas pessoais porque o mercado está propício.

E se eu encontrasse ali uma de nós se ferindo pelo sucesso, pelo cargo tão disputado, pelo salário tão concorrido? O que diria a elas? O que diria a mim mesma se caísse na velha armadilha de atender aos apelos do mercado e esquecer-me dos apelos da alma?

Li mulheres de sucesso, li histórias bem sucedidas, vi gráficos otimistas. Mas não foi possível ler se as almas dessas mulheres estão em paz. Eu tenho a desconfiança de que a alma não está comprometida com o sucesso. Suspeito que a alma está comprometida com a sua expressão única, com o que é verdadeiro de dentro pra fora e não com o que é imposto por modelos de capa de revista.

Diria a mim mesma que a minha lista de capacidades e habilidades é do tamanho ideal para mim, mesmo ela sendo bem menor que a lista de “requisitos desejáveis” para a tal “realização profissional”.

Lembraria-me que cometo muitos erros, apesar de estar comprometida com os resultados, e que mesmo assim me sinto bem com o que realizo, porque sou humana.

E, para encerrar essa conversa reconheceria que tenho limites, e por isso acho que não seria capa da Você S.A porque me considero LTDA.

Porque preciso colocar limites para ir somente até onde consigo e posso. Limitar-me a exercer quem sou para não me exceder nas exigências “do que tenho que ser”.